Putin quer discutir a Ucrânia com Trump e Xi Jinping, mas deixa Zelensky à porta

Putin quer discutir a Ucrânia com Trump e Xi Jinping, mas deixa Zelensky à porta

O jornal norte-americano The Wall Street Journal escreve que terá sido Putin a propor a reunião, via telefone, no dia 9 de outubro. Volodymyr Zelensky não seria incluído nas conversações. A reunião da cúpula tem como objetivo negociar o fim da guerra.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Putin sugeriu que o encontro com Trump e Xi Jinping acontecesse à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, prevista para 18 e 19 de novembro. Foto: Kevin Lamarque - Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, quer discutir o futuro da Ucrânia com Donald Trump e Xi Jinping, mas sem a presença de Volodymyr Zelensky.

A proposta de uma cimeira trilateral, a acontecer em novembro, foi noticiada pelo The Wall Street Journal (WSJ), que cita fontes próximas das conversações entre Moscovo, Washington e Pequim.

Segundo o jornal norte-americano, o líder russo apresentou a ideia durante uma conversa que terá acontecido ao telefone, a 9 de outubro, com Donald Trump.

O jornal clarifica que o objetivo será negociar o fim da guerra em condições favoráveis à Rússia, num contexto de aproximação entre os presidentes russo e norte-americano que tem suscitado preocupação na Ucrânia e entre os aliados europeus de Kiev.

A proposta prevê conversações entre os três líderes, sem Volodymyr Zelensky, numa iniciativa diplomática que, de acordo com o jornal, a concretizar-se nestes termos, seria inédita. A exclusão da Ucrânia de uma reunião sobre o futuro do país deverá suscitar reservas em Kiev e nas capitais europeias.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou ao Wall Street Journal que estão em curso conversações sobre a possibilidade de um encontro, mas ressalvou que "ainda não há um entendimento claro sobre a reunião em si ou sua possível pauta, embora todas as três partes reconheçam a possibilidade hipotética de tal reunião ocorrer", afirmou Peskov ao jornal.

Do lado norte-americano, um alto funcionário citado pelo WSJ indicou que Trump ainda não aceitou a proposta, embora possa mostrar-se recetivo, tendo em conta o compromisso de pôr fim à guerra na Ucrânia.
APEC como palco possívelDe acordo com as fontes citadas pelo jornal, Moscovo sugeriu que o encontro decorresse à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, no sul da China.

A iniciativa poderá também dar a Xi Jinping uma oportunidade para reforçar o papel de Pequim na mediação diplomática do conflito. 

A Casa Branca recusou comentar a possibilidade, enquanto a Embaixada da China em Washington não respondeu a um pedido de esclarecimento do jornal.
Gasóleo também esteve em cima da mesaA conversa telefónica de 9 de outubro entre Putin e Trump terá abordado igualmente questões energéticas. 

Segundo o WSJ, os dois lados chegaram a um entendimento relacionado com a compra de gasóleo russo pelos Estados Unidos e com os esforços para facilitar a sua comercialização no mercado internacional.

No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, defendeu que o acordo sobre o gasóleo é uma questão bilateral entre Moscovo e Washington, independentemente das posições de Zelensky.

O chefe da diplomacia russa acusou ainda o presidente ucraniano de não querer negociar a paz e de "sabotar continuamente as negociações", referindo os processos de Minsk, Istambul e Abu Dhabi. 

Por sei lado, numa entrevista à Blommberg News, Zelensky acusou Trump de tentar pressionar Kiev a aceitar uma rendição à Rússia.



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